O Brasil gastou US$35 bilhões (cerca de Cr$3,5 trilhões) com acidentes de trabalho nos últimos 20 anos. Essa soma, no entanto, não refletem os gastos reais, uma vez que não incluem os trabalhadores não segurados pela Previdência Social, que representam, hoje, 57% da População Economicamente Ativa no país. Ficam de fora das estatísticas grupos de extrema exposição a riscos-- como os bóias-frias--, o grande contingente de autônomos e ambulantes. Em 1989, foram registrados 4.091 mortes por acidente de trabalho. São números fornecidos pela Previdência Social. O número real, porém, é muito maior. Segundo levantamento apresentado no IX Encontro de Segurança do Trabalho, realizado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Município do Rio de Janeiro (Sinduscon), a prevenção de acidentes de trabalho está diretamente relacionada ao nível sócio-econômico da nação. A construção civil, que emprega o maior contingente de mão-de-obra não qualificada (3,8 milhões de pessoas) é das poucas atividades no país com preocupação em reverter o quadro, diz o vice-presidente da entidade, Antônio Carlos Mendes Gomes. Em 10 anos, o setor reduziu seus acidentes de 10,1% em 1979 para 2,88% em 1989. A construção civil foi responsável por 22,65% do total de acidentes de trabalho ocorridos no país, no ano passado, o que corresponde a 179.122 casos registrados no setor (O ESP) (JC).