A prostituição infantil cresce no Brasil e já atinge 500 mil meninas, envolvidas cada vez mais com drogas. Essa informação está em dossiê preparado pelo Ministério da Ação Social, a partir de levantamento do Centro Brasileiro para a Infância e Adolescência (CBIA), com base em dados, entre outros da Polícia Federal. É o primeiro levantamento já feito no país especificamente sobre meninas carentes, investigando a prostituição. De acordo com o documento, uma das principais causas da entrada na prostituição é a gravidez precoce: mais de um milhão de mulheres menores de 19 anos são mães. Haveria, acrescenta, 800 mil meninas de rua, também suscetíveis, pela necessidade de sobrevivência, a entrar na prostituição. Somente no Município do Rio de Janeiro existem cerca de cinco mil meninos e meninas de rua, sem laços familiares, que vivem de trabalhos ocasionais, favores ou pequenos furtos. O levantamento é do Instituto de Planejamento do município (Iplan-Rio), com base em dados fornecidos por instituições que trabalham com menores, atendimentos em hospitais e postos de saúde e pesquisas do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas). Os dados, de acordo com o coordenador do Programa de Cadastro Municipal para Crianças e Adolescentes, Epitácio Brunet, estão ligados a outro problema: desde 1980, o número de menores (de zero a 17 anos) na faixa de miséria absoluta vem tendo um aumento constante. "Percentualmente, esses menores têm representado cerca de 10% da população do país. Como ao longo da década essa população cresceu, o número absoluto de crianças e adolescentes em miséria absoluta também aumentou", afirma (FSP).