VENTURINI CONTA QUAM PAÍS CEDEU URÂNIO AO BRASIL

O general Danilo Venturini, chefe do Gabinete Militar no governo Figueiredo, revelou, em depoimento de cinco horas na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) Nuclear, o maior segredo do programa nuclear paralelo: o nome do país que contrabandeou urânio enriquecido para o Brasil, permitindo que as Forças Armadas desenvolvessem a tecnologia capaz de fazer uma bomba. O general exigiu sessão ultra-secreta e compromisso de sigilo dos seis parlamentares da comissão. Sempre consultando seu "diário nuclear", escrito durante seis anos, ele afirmou que o objetivo jamais foi construir a bomba. A mesma afirmação foi feita pelo então presidente da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), Rex Nazaré. Ambos justificaram o programa nuclear paralelo e o sigilo que o acobertou como a única forma de tornar viável o desenvolvimento tecnológico brasileiro
33549 na área nuclear. A deputada Anna Maria Rattes (PSDB/RJ), que presidiu a sessão, disse que os integrantes da CPI não ficaram satisfeitos: "A exposição foi muito objetiva, mas não estou convencida de que não houve a intenção de fazer a bomba". O programa paralelo está sendo investigado por deputados e senadores desde a semana passada. Os parlamentares defenderam o controle da sociedade civil sobre o programa e concordaram em que caberá à CPI propor os mecanismos de fiscalização do programa nuclear (JB).