MINISTRO-CHEFE DO SNI NEGA CENSURA EM BRASÍLIA

O chefe do SNI (Serviço Nacional de Informação), general Ivan de Souza Mendes, ao negar a existência de um sistema de escuta telefônica na Telebrasília, denunciada pela revista Isto é (dia 7 último), disse que não tem interesse em "ouvir futricas de deputados e conversas de ministros". E assegurou: "desde que assumi o SNI, não existe mais o grampo em telefones. Se eu souber que algum funcionário anda fazendo isto, boto para fora". Segundo ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, "estão confundindo escuta telefônica com a existência de 130 aparelhos de altas autoridades, que funcionarão mesmo ocorrendo um colapso no serviço de telecomunicações". Disse que o sistema foi montado pelo SNI em cooperação com seu ministério há pouco mais de um ano e batizado com o nome de Projeto Camaleão. Desde que assumiu o SNI, em março de 1985, o general Ivan defende a inclusão na Constituição de um artigo que autorize a escuta telefônica para investigação de crimes de sequestro, chantagem, terrorismo e espionagem. Uma proposta com esse objetivo foi apresentada ao presidente da Comissão de Estudos Constitucionais, Afonso Arinos, para inclusão entre as sugestões que serão feitas à Constituinte (JB).