O governo ultrapassou em mais de Cr$180 bilhões a meta de expansão monetária fixada para o segundo semestre deste ano. Isso demonstra que o Banco Central não está conseguindo enxugar a liquidez do mercado e que a inflação não deve cair já para um dígito. De acordo com a programação monetária aprovada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), o saldo dos depósitos à vista mais o papel-moeda em poder do público (o chamado M1) não poderia ultrapassar Cr$1,333 trilhão em 31 de dezembro de 1990. Somente entre julho e setembro o M1 cresceu 23,2%, bem mais do que a meta de 14,2% estabelecida para todo o segundo semestre e incluída na carta de intenções proposta ao FMI (Fundo Monetário Internacional). O BC começa a discutir a possibilidade de rever a meta fixada pelo CMN. A revisão é considerada inevitável, por duas razões básicas: 1) embora se espere para outubro e novembro um aumento menor do M1, tem-se como certa uma expansão acentuada em dezembro, como acontece todo ano em função do pagamento do 13o. salário e das vendas de fim de ano, que aumentam a necessidade de emissão de papel moeda; 2) a meta foi definida para um cenário de inflação mensal próxima de zero e não para índices acima de 10%, conforme ocorre, na prática, desde julho. A política monetária do governo está provocando uma diminuição do volume das LTNs (Letras do Tesouro Nacional) em poder do mercado: para dar liquidez ao mercado, o BC tem recomprado muitas LTNs. De acordo com os dados do BC, no último dia 11 havia no mercado um total de Cr$538,8 bilhões em LTNs, contra os Cr$686,7 bilhões existentes em setembro e os Cr$823,3 bilhões de agosto (FSP) (O Globo).