O presidente da PETROBRÁS, advogado Luiz Octávio da Motta Veiga, pediu demissão ontem do cargo e, em entrevista à imprensa, fez denúncias de corrupção no governo. Para substituí-lo, a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, escolheu o secretário-executivo de seu Ministério, economista Eduardo Teixeira. No lugar de Teixeira entrará João Maia, atual secretário de Economia do Ministério, cargo que agora será ocupado por João Cunha, antigo substituto de Maia. Motta Veiga disse que os motivos da sua saída foram a defasagem dos preços dos combustíveis e a forma de condução das negociações sobre os preços dentro do governo. Afirmou, no entanto, que essas discussões eram "uma cortina de fumaça para não chamar atenção para fatos pouco confessáveis, como atos cometidos na campanha eleitoral". Segundo ele, o empresário Paulo César Farias, amigo e ex-tesoureiro da campanha eleitoral do presidente Fernando Collor, propusera à BR Distribuidora, subsidiária da PETROBRÁS, emprestar à VASP US$40 milhões, o que foi recusado, "porque a BR não é banco". Também o secretário-geral da Presidência da República, embaixador Marcos Coimbra-- a quem Motta Veiga comunicou sua demissão--, pediu-lhe que "achasse uma fórmula" para ajudar a VASP. Motta Veiga disse ainda que o porta-voz da Presidência da República, Cláudio Humberto, não trabalhou na sua saída da estatal "porque ele nem me parece capaz de trabalhar. Ele faz é muita futrica, fofoquinha", disse. Cláudio Humberto rebateu dizendo que Motta Veiga deixou o cargo por insubordinação e incompetência. O ex-presidente da PETROBRÁS disse também que a ministra Zélia e o presidente do Banco Central, Ibrahim Eris, sabiam previamente da operação de compra de títulos da dívida externa feita pela estatal em Nova Iorque (EUA). Segundo ele, a ministra chegou a pedir que a compra fosse apressada para evitar que a notícia vazasse no dia da negociação da dívida brasileira. Motta Veiga atribuiu o vazamento da notícia ao BC (JB) (FSP) (JC) (O Globo).