O negociador da dívida externa, embaixador Jório Dauster, divulgou ontem, em Brasília, os números da proposta do governo encaminhada aos banqueiros credores na semana passada, em Nova Iorque (EUA), detalhados em dólares e até centavos para os próximos 45 anos. Em 1991, está previsto o pagamento de US$738 milhões, limite permitido pela taxa de crescimento econômico do país, que será zero. Dauster explicou que poderá haver um pagamento adicional de US$427 milhões, com a condição de que organismos internacionais emprestem dinheiro novo ao Brasil. Em 1992, a capacidade de pagamento do Brasil é estimada em US$828 milhões, além de US$154 milhões pelos juros atrasados. Em 1993, o país deixa de fazer desembolsos adicionais, incorporando os juros vencidos ao principal da dívida. O secretário de Política Econômica, Antônio Kandir, assegurou que o Brasil não vai ceder num ponto que considera fundamental: a capacidade de pagamento. "Tudo o mais é negociável", disse. O Comitê Assessor dos bancos credores se reúne hoje em Nova Iorque com os demais credores para fechar posição contra a proposta brasileira. Um banqueiro que não quis se identificar disse que a proposta "não constitui um ponto de partida". Outro afirmou que "os brasileiros não estão negociando a sério" (JB) (FSP).