CORRUPÇÃO NA COMISSÃO MISTA DO ORÇAMENTO

A revisão orçamentária do governo não escapou dos interesses eleitorais dos políticos. Segundo denúncia feita ontem pelo deputado Antônio Brito (PMDB/RS), dos Cr$8 bilhões que o Executivo reservou para gastos em situações de calamidade pública, a Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional subtraiu Cr$3 bilhões para pagar projetos de parlamentares em suas bases eleitorais. Sem critérios para a distribuição deste dinheiro, o relator da revisão, o deputado baiano João Alves (PFL), elegeu seu próprio estado e o de Minas Gerais como os campeões em favorecimentos, na votação das propostas realizada há dois meses pela Comissão. Dos Cr$285 milhões previstos pelo governo para projetos de reforma agrária, a Bahia ficou com Cr$200 milhões. Na distribuição de verbas para projetos de infra-estrutura hídrica, a Comissão foi novamente generosa com os baianos, aprovando 26 dos 39 projetos apresentados, o que significou 78% dos Cr$432 milhões previstos pelo Executivo. Quando rateou Cr$877 milhões para Incentivar a moradia popular", João Alves deu 48% do dinheiro para seu estado (JB).