Dez milhões de pessoas, entre crianças, gestantes e nutrizes, serão beneficiadas a partir do próximo ano com a implantação do programa de alimentação e nutrição lançado ontem pelo ministro da Saúde, Alceni Guerra, durante a solenidade comemorativa do Dia Mundial de Alimentação, em Brasília. O ministro disse que fará investimentos de US$2,5 bilhões nos próximos cinco anos, ampliando seis vezes os recursos destinados ao programa de alimentação. A partir de 1991, o Ministério da Saúde vai aplicar anualmente Cr$50 milhões para a recuperação de cinco milhões de crianças desnutridas de até cinco anos de idade. Segundo estimativas do INAN (Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição) desse total de desnutridos, 500 mil estão em estado grave. O ministro disse que "a mortalidade infantil é uma consequência direta da desnutrição". O Brasil é o quarto país da América Latina em mortalidade infantil. Em cada grupo de mil crianças nascidas vivas, 64 morrem antes de completar um ano de idade. O Município de Paulo Afonso (BA) chegou a ter os índices de mortalidade infantil mais elevados do país: 700 mortes em cada grupo de mil crianças nascidas vivas. Segundo as informações, existem 4,5 milhões de pessoas que se alimentam com menos de duas mil calorias nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo. O mínimo recomendado pela Fundação das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), é 2.440 calorias (JB) (FSP).