A RENEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA EXTERNA

Executivos de bancos credores do Brasil levantaram, entre outras, a
33275 seguinte dúvida em relação à proposta de negociação da dívida externa
33275 do governo brasileiro: uma vez trocados os atuais títulos da dívida por
33275 novos bônus, com prazos de 15, 25 e 45 anos, como serão pagos os juros
33275 referentes aos novos títulos? O Brasil fará pagamentos anuais, como vinha
33275 acontecendo até o ano passado, ou os juros serão capitalizados
33275 anualmente, incorporados ao total da dívida e pagos só nas datas de
33275 vencimento dos novos títulos?. Feita a pergunta à ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, a resposta foi a seguinte: "Basicamente não haverá pagamentos anuais de juros. Eles serão capitalizados e pagos, com o principal, no vencimento do título". "Basicamente" quer dizer quase nada. "Da resposta, se conclui que os bancos credores só receberão alguma coisa substancial, antes do vencimento dos novos títulos, se entrarem nos leilões a serem abertos a cada trimestre pelo Banco Central, que recomprará os papéis, com desconto. Nessas condições, os bancos credores ficam sem saber quanto receberão anualmente do Brasil, pois tudo dependerá do jogo dos leilões e de quantos dólares o BC vai destinar aos leilões". A proposta inicial do Brasil não representa uma base para negociação, afirmaram os bancos credores num comunicado de uma página entregue ao negociador da dívida, embaixador Jório Dauster, dia 12. O documento estipula "os princípios" a serem observados para o entendimento e pede uma ação imediata para regularizar os pagamentos dos juros vencidos e a vencer. "Qualquer proposta que simplesmente capitalize os juros é inaceitável", diz o documento (JB) (O ESP).