O ministro da Justiça, Bernardo Cabral, anunciou ontem, no Palácio do Planalto, sua exoneração do cargo, justificada em carta enviada ao presidente Fernando Collor de Mello, por razões "de foro íntimo". Para substitui-lo foi nomeado o senador Jarbas Passarinho (PDS-PA), e Bernardo Cabral se encarregou de apresentá-lo à imprensa, durante entrevista coletiva. O senador assume o ministério amanhã. A saída de Bernardo Cabral não causou surpresa, pois era dada como certa após se tornar público o seu romance com a ministra Zélia Cardoso de Mello. O romance entre os dois ministros determinou, por sinal, a realização, a pedido da Presidência da República, de consultas à opinião pública para medir a maneira como a sociedade encarava isso. O resultado oficial da sondagem, embora não tenha sido oficialmente divulgado, revela que a maioria das pessoas comuns não desaprova o namoro. Mas para o presidente Collor, que teve como arma contra seu adversário Luís Inácio da Silva (PT), na reta final das eleições, revelações íntimas e constrangedoras de uma ex-namorada do candidato petista, havia um agravante contra Cabral-- por ser oficiamente casado--, seu caso com Zélia caracterizava adultério. Bernardo Cabral retornará à Câmara dos Deputados para completar seu mandato de deputado pelo PMDB do Amazonas, que se encerra em 31 de janeiro (JC) (JB) (FSP).