Os títulos de longo prazo que o Brasil pretende oferecer na negociação com os bancos credores para transformação de parte da dívida de US$51 bilhões em bônus terão vencimento entre 40 e 45 anos. Esses são os maiores prazos já discutidos em negociações recentes entre países devedores e bancos internacionais. Os títulos de médio prazo da proposta brasileira, apresentada anteontem, em Nova Iorque (EUA), ao comitê de bancos credores, poderão variar entre 20 e 25 anos, enquanto os de menor prazo (bônus de saída), entre 10 e 15 anos. Esses prazos foram revelados ontem por técnicos do governo que trabalharam na preparação da proposta brasileira. Eles acham que a proposta não seja excessivamente dura com os credores. Observam que existem algumas novidades importantes e que servirão de compensação, como a desvinculação da dívida do setor privado brasileiro (de US$9 bilhões) da renegociação, ou a adesão voluntária dos bancos internacionais às linhas de curto prazo, que vencem em abril. Além disso, acrescentam os técnicos, os bancos continuarão dispondo do mercado secundário para trocar seus papéis da dívida brasileira (O ESP).