As ONGs (Organizações Não-Governamentais) estão enfrentando hoje o
33193 maior desafio de lobby"" de sua história: conseguir um mínimo de consenso para influir na 2a. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92), a ser realizada no Brasil em 1992". Da URSS à Amazônia, o número de entidades que querem contribuir para a
33193 ECO-92 já é tão grande, e o universo de seus interesses tão diferente,
33193 que tentar reunir índios, industriais, trabalhadores, ambientalistas e
33193 desenvolvimentistas, entre outros, numa força unificada transformou-se num
33193 verdadeiro exercício de malabarismo. Em quase todos os países, centenas de organizações e novas associações
33193 estão sendo criadas. Uma coalizão global de associações indígenas, com
33193 sede em Genebra (Suíça), está sendo formada para garantir que os direitos
33193 dos índios sejam assegurados na conferência. Uma fundação canadense de
33193 jovens resolveu contactar associações de jovens de todo o mundo para
33193 formar uma plataforma internacional dos jovens na ECO-92. Representantes de
33193 Igrejas decidiram, em Nova Iorque (EUA), que no debate Terra e Humanidade"" as Igrejas têm o que falar, e formaram um comitê internacional para garantir que a dimensão ética e moral do meio ambiente e desenvolvimento não seja esquecida. Especialistas em energia e ambientalistas formaram o Ete-21, uma força-tarefa para a criação de um programa de ação para a conferência: já estão inscritas 54 organizações, entre elas a Universidade do Japão e as multinacionais Shell e IBM". Perdita Huston, consultora da Federação Internacional de Planejamento Familiar, organização que reúne 137 associações de família de todo o mundo, diz o seguinte sobre a ECO-92: "Acho que essa conferência já foi roubada. Na sua agenda, a questão do desenvolvimento, que é o nosso interesse, foi relegada a segundo plano. E isso está tirando o nosso poder e criando uma divisão entre as ONGs. Muitos grupos ambientalistas só estão preocupados com a questão do meio ambiente. Mas o meio ambiente não existe sem desenvolvimento. Os ambientalistas têm que entender que existem pessoas morrendo de fome, uma injustiça social que é problema de desenvolvimento. E se não houver este balanço no debate, vamos acabar nos dividindo". O diretor da SOS Mata Atlântica, João Paulo Capobianco, disse ontem, em Manaus (AM), durante o Forest 90, que a ECO-92 pode ser inútil se os países do Terceiro Mundo não pressionarem os países ricos a fim de obterem acordos que mudem as atuais relações internacionais. Segundo ele, a ONU é por demais conservadora e, como é dominada pelos países desenvolvidos, o resultado dessa conferência poderá manter a situação atual. Outra questão é a negociação da dívida externa dos países do Terceiro Mundo e a transferêcia de tecnologia. Capobianco diz que "as ONGs precisam trabalhar para pressionar os governoa a exigirem a discussão desses problemas que são as raízes da destruição do meio ambiente nos países pobres" (O Globo).