EMPRESÁRIOS E TRABALHADORES REJEITAM PROPOSTA DE TRÉGUA

Empresários e trabalhadores rejeitaram ontem uma proposta de trégua para preços e salários apresentada pelo ministro da Justiça, Bernardo Cabral, durante a reunião do entendimento nacional, em Brasília. A proposta constava de documento elaborado por Cabral, fixando o regimento da comissão central, no qual se afirmava que o "momento reclama uma trégua que permita conter as tensões imediatas entre capital e trabalho e assegure o êxito" do Plano Collor. O sindicalista Luiz Antônio de Medeiros, disse que "ninguém é capaz de impedir greves no Brasil". O representante da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Gilmar Carneiro, considerou a proposta "uma brincadeira", porque as discussões estão apenas começando. O presidente da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores), Canidé Pegado, afirmou que o momento é para a discussão de outros assuntos e não de trégua. O representante da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Roberto Della Manna, admitiu a hipótese de discutir uma trégua, "mas apenas na subcomissão de assuntos emergenciais". "Não considero o momento oportuno para discutir uma trégua; ela é o final das conversas", afirmou o representante do PNBE (Pensamento Nacional das Bases Empresariais), Emerson Kapaz. Ao final do encontro, o ministro retirou sua proposta. Os membros da comissão decidiram que a próxima reunião será destinada a fixar a pauta de discussões em cada uma das sete subcomissões. Até o dia 27, empresários e trabalhadores encaminharão suas propostas ao governo, que consolidará as sugestões a serem submetidas à comissão central no dia 30 de outubro. Definidos os temas, eles serão encaminhados às subcomissões, que iniciam seus trabalhos em novembro (FSP).