COLLOR QUER SAE COM MAIS PODERES QUE O ANTIGO SNI

Um documento oficial obtido pelo jornal Folha de São Paulo mostra que o presidente Fernando Collor de Mello decidiu fortalecer a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), deixando-a com mais poderes do que seu antecessor, o Serviço Nacional de Informações (SNI). Esses poderes estão estabelecidos no Plano Plurianual, no qual são fixadas as metas do governo, e deve ser submetido, como determina a Constituição, ao Congresso Nacional. Chefiada por Pedro Paulo Leone Ramos, a SAE tem como missão, segundo o documento, "o aumento da capacitação nuclear nacional, objetivando consolidar o respectivo parque nacional". No governo do presidente João Batista Figueiredo, as atividades nucleares do SNI eram clandestinas e envolviam projetos bélicos com o Iraque, desenvolvidos pelo então chefe da instituição, Octávio de Medeiros. O presidente Fernando Collor tem reiterado que o programa nuclear é hoje transparente e sem fins bélicos. De acordo com o documento, a SAE possui as seguintes funções no setor nuclear nacional: "Execução de projetos, na área nuclear, com ênfase nas seguintes ações: pesquisa aplicada, visando assegurar autonomia nacional no setor; produção de artefato e de equipamentos pesados para a indústria nacional, notadamente para as usinas nucleares; desenvolvimento de tecnologias e normas para a operação segura de instalações nucleares e radiativas" (FSP).