CPT E CONTAG CRITICAM REFORMA AGRÁRIA DO GOVERNO

Assentar ainda este mês e no próximo cerca de 68 mil famílias de sem- terra, dando-lhes títulos definitivos, como anunciou o ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, implicaria fornecer, em apenas dois meses, 70% de todos os títulos de terra entregues nos cinco anos do governo Sarney. Ao fazer os cálculos, a CPT (Comissão Pastoral da Terra) e a CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) denunciaram que o ministro está procurando "enganar a sociedade civil brasileira ao anunciar que o governo vai dar 68 mil títulos definitivos de terra a agricultores". O que o governo está fazendo é dando títulos definitivos a
32803 trabalhadores rurais já assentados, que detinham apenas títulos
32803 provisórios ou licenças de ocupação, denunciou Francisco Salles, tesoureiro da CONTAG. "O governo não fez nenhuma desapropriação de terra e não assentou nenhuma família nestes seis meses", endossou Jerônimo Nunes, secretário-executivo da CPT. Para as duas entidades, é praticamente impossível entregar 68 mil títulos em apenas 60 dias e garantir crédito bancário, estradas vicinais, postos de saúde, escolas, armazenamento e transportes para esses agricultores, num programa de reforma agrária séria (JC).