MINISTRA DISCURSA NO FMI

Ao discursar ontem, em Washington (EUA), no FMI (Fundo Monetário Internacional), a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, reagiu às pressões dos bancos credores, do próprio FMI e do governo norte- americano, para que o Brasil salde uma parte dos US$8,4 bilhões de juros atrasados da dívida, afirmando que o governo brasileiro não pagará nada enquanto não for formalizado um acordo. "Só teremos um acordo com os bancos se estivermos certos de que vamos poder cumpri-lo", afirmou. Sobre o teor desse acordo não adiantou nenhum detalhe, disse apenas que o Brasil não desembolsará nada que exceda sua capacidade de pagamento ou
32765 comprometa seu desenvolvimento. A ministra criticou o FMI e o BIRD (Banco Mundial), afirmando que deveriam estar cuidando de soluções a longo prazo para a crise da dívida. "Este é um papel mais importante do que o de servir de auditores das políticas domésticas dos países devedores", disse. Segundo ela, os países devedores têm saldado seus débitos mas não recebem o "apoio apropriado da comunidade financeira internacional". Zélia acusou também os governos dos países ricos de deixarem os interesses dos bancos comerciais prevalecerem nas discussões sobre a dívida externa. "Esta é uma das razões pela quais até agora o processo de negociação tem tomado tanto tempo e mostrado tão poucos resultados", afirmou. O governo brasileiro e o Comitê Assessor dos bancos credores marcaram para o próximo dia 10 a primeira reunião de negociação da dívida externa, em Nova Iorque (EUA) (JB) (FSP).