O diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Michel Camdessus, disse ontem, em Washington (EUA), que só submeterá a carta de intenções do Brasil à aprovação do conselho executivo do Fundo após ter certeza que as negociações com a comunidade banqueira foram lançadas
32704 em bases firmes com boas perspectivas de uma conclusão satisfatória. O conselho executivo do FMI vai se reunir para analisar o pedido de ajuda do Brasil de US$2,03 bilhões "apenas depois de o governo brasileiro ter iniciado negociações firmes e de boa fé com os bancos credores para o reescalonamento da dívida externa e a redução dos atrasos de pagamentos de juros", disse Camdessus. Ele exortou o governo brasileiro e os bancos a iniciarem logo as negociações. No Rio de Janeiro, o diretor do Departamento de Energia e Indústria do BIRD (Banco Mundial), Anthony Churchill, afirmou que o Brasil não atrairá empréstimos externos enquanto não tiver regras definidas para garantir o retorno de investimento. "Ninguém empresta dinheiro para uma casa em bagunça e para quem não paga suas dívidas", afirmou. O diretor-presidente do Banco de Tokyo, Takanori Suziki, disse, em São Paulo, que os bancos privados vão querer o pagamento de parte dos atrasados para iniciar negociações com o governo brasileiro. Na sua opinião, um desembolso de US$2 bilhões aos credores comerciais, "se o Brasil puder pagar", seria considerado um sinal de "boa vontade" para abrir as negociações (FSP).