O Brasil está entre os países "mais seriamente afetados" pela crise no Golfo Pérsico, segundo documento reservado do BIRD (Banco Mundial) distribuído à diretoria da instituição. O país pode ter uma perda de US$7,120 bilhões até 1992 numa estimativa considerada "conservadora" pela própria instituição. O banco prevê que, em caso de guerra, o preço do barril do petróleo pode explodir, atingindo US$65,00, quase o dobro dos US$33,00 registrados nesta semana. No Rio de Janeiro, o ministro da Infra-estrutura, Ozires Silva, disse que o governo já tem um plano estratégico para garantir o abastecimento de combustíveis no caso de uma guerra, mas não deu maiores detalhes sobre o assunto. Ele disse que o primeiro produto a faltar no mercado interno poderá ser o óleo diesel e, em seguida, o álcool. Ozires Silva participou da abertura da Assembléia Executiva do Conselho Mundial de Energia, que se reúne até amanhã. O diretor do Departamento de Energia e Indústria do BIRD, Anthony Churchill, disse, durante o encontro, que "o Brasil deve acabar com os monopólios estatais existentes no setor de energia elétrica e até mesmo de petróleo, como única forma de tornar as empresas mais eficientes e rentáveis e com isso conseguir captar os recursos indispensáveis para investir nos programas de energia". Ele disse que os países em desenvolvimento precisam investir US$100 bilhões por ano em energia, dos quais o BIRD contribui com US$4 bilhões anuais em empréstimos (FSP) (O Globo).