O presidente Fernando Collor recebeu ontem no Palácio do Planalto o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Jair Meneghelli, para uma conversa de 50 minutos, a portas fechadas. Collor garantiu não haver qualquer pré-requisito para que a central sindical participe do entendimento nacional proposto pelo governo. Mesmo assim, à saída do encontro, Meneghelli não assegurou a presença da CUT na próxima reunião do pacto social, marcada para o dia 26. Para negociar, a CUT insiste especialmente em uma nova política salarial, revisão das demissões de funcionários e não-privatização das empresas estatais. "Ouvir essa garantia do presidente foi importante", disse Meneguelli. Hoje, a executiva nacional da CUT avalia o encontro de Meneghelli com Collor e decide se participará das reuniões do pacto. O presidente da CUT evitou fazer uma avaliação sobre o efeito prático do encontro que teve com Collor. Disse que o resultado da conversa é "mais uma informação" para ser submetida à reunião da CUT convocada para hoje. Os 13 pontos são os seguintes: 1) revogação da MP 211; 2) recomposição das perdas salariais; 3) aumento real de salários e salário-mínimo do DIEESE; 4) estabilidade no emprego e seguro-desemprego; 5) jornada máxima de 40 horas semanais; 6) não-privatização das estatais e saneamento dessas empresas sob controle dos trabalhadores; 7) melhoria dos serviços públicos e valorização dos servidores; 8) readmissão dos demitidos e disponíveis; 9) reforma agrária sob controle dos trabalhadores, assentamento imediato dos acampados e política agrícola; 10) garantia do livre exercício sindical a partir do local de trabalho; 11) controle coletivo de trabalho respaldado na livre organização sindical e no direito de greve; 12) não-intervenção do poder público nos conflitos trabalhistas; e 13) não-pagamento da dívida externa (JB) (FSP).