IPEA APONTA CONCENTRAÇÃO DE RENDA EM 1988

Em 1988, o Brasil alcançou o mais alto nível de concentração de renda da sua história e um dos mais elevados do mundo. O índice de "Gini", que mede a desigualdade da distribuição de renda numa sociedade em relação a uma distribuição considerada equitativa, saltou de 0,59 em 1987 para um novo patamar em 1988, de 0,61. Ou seja, de um ano para o outro a concentração de renda no país subiu dois pontos percentuais equivalentes a pouco mais de 3%. Enquanto os mais ricos (1%) da população brasileira, considerados os que ganham acima de 49 salários-mínimos, concentraram 14% da renda nacional, os 30% mais pobres abarcam uma fatia de 4,75% dessa renda. Os dados foram levantados pelos economistas Guilherme Luís Sedlacek e Regis Bonelli, ambos do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), do Rio de Janeiro, baseados em dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio) de 1988, do IBGE. Na avaliação dos economistas, esse movimento crescente de concentração de renda é fruto da crise econômica agravada pela aceleração inflacionária, que "é um dos fatores mais perversos de desigualdade de renda". Em 1988, a inflação fechou o ano com uma variação de 933,64%, ante uma taxa, em 1987, de 365,96% (GM).