Segundo pesquisa divulgada ontem pelo IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), seis meninos e meninas de rua foram assassinadas por mês, no ano passado, no Rio de Janeiro, num total de 184 ao final do ano. A pesquisa, que serviu de subsídio para o relatório da Anistia Internacional sobre o extermínio de crianças e adolescentes no Brasil, abrangeu mais dois estados: em São Paulo, no mesmo período, houve 206 menores chacinados, e na região metropolitana do Recife (PE), 68. Dos 457 mortos nos três estados, 49% ocorreram por execução sumária e 17% através de desovas. Do total, 10 eram bebês com menos de um ano de idade. O levantamento foi feito através de notícias recolhidas nos jornais "O Dia", "Notícias Populares" (SP) e "Diário de Pernambuco". Segundo o documento, em 82% dos casos foram utilizadas armas de fogo, e a maioria dos crimes (49%) aconteceu em logradouros públicos. De acordo com o índice de vítimas por habitante, o Rio de Janeiro ficou com 4,9%; São Paulo, 3,5%; e Recife, 5,7%. Embora com dificuldade para identificar os matadores, a pesquisa chegou ao seguinte perfil dos 100 acusados pelo extermínio: 83 são homens, 16 pertencem aos quadros da Polícia Militar e 13 fazem parte de quadrilhas ou gangs. Dos 181 casos (64%) em que desconhecidos são apontados como assassinos, as mortes acontecem por execução sumária ou chacina. A pesquisa avaliou 424 delitos notificados, e as vítimas, classificadas pelos jornais como "menor", "pivete" ou "trombadinha", são em sua maioria (85%) do sexo masculino, na faixa de 15 a 17 anos. O secretário-executivo do IBASE, Herbert de Souza, disse que é favorável à instalação de um tribunal nacional, com assistência jurídica internacional, para julgamento da conivência da sociedade e do Estado com o extermínio de crianças e adolescentes no Brasil (O Dia) (JB).