A CARTA DE INTENÇÕES AO FMI

A ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, anunciou ontem as metas contidas na carta de intenções firmada com o FMI (Fundo Monetário Internacional): o governo prevê queda de 3% do PIB (Produto Interno Bruto) este ano, crescimento de 3% em 1991 e projeta inflação média de 7% ao mês neste segundo semestre. A previsão de inflação anual para 1991 é de 25%. O Brasil se compromete ainda a reduzir o déficit do balanço de pagamentos de US$6 bilhões em 1990 para US$2,4 bilhões em 1991. Até dezembro deste ano, as reservas cambiais não ficarão abaixo de US$5,3 bilhões e aumentarão para, no mínimo, US$7,7 bilhões em dezembro de 1991. São os seguintes os demais pontos da carta: contas públicas-- o governo projeta um superávit operacional (que desconta a inflação) de Cr$157 bilhões ou 0,5% do PIB. Para o próximo ano está previsto equilíbrio (nem déficit nem superávit); dinheiro em circulação-- no ano que vem serão colocados no mercado Cr$400 bilhões em novas cédulas. O objetivo é manter a política monetária restritiva. O saldo de papel-moeda em poder do público só poderá aumentar 30% em 1991; estatais-- o crescimento do investimento das empresas estatais será de 1,89% do PIB este ano e de 2,3% do PIB em 1991; provisão-- quando iniciar as negociações com os bancos credores privados, o governo começará a reservar uma parte de suas folgas de caixa para a retomada do pagamento de juros da dívida externa. Não há definido o valor total dessa provisão; superávit operacional-- o resultado operacional do setor público não- financeiro será positivo em Cr$157 bilhões este ano. A partir de 1o. de janeiro de 1991 as metas trimestrais são as seguintes, em valores acumulados: Cr$110 bilhões (março), Cr$270 bilhões (junho), Cr$140 bilhões (setembro) e zero em dezembro (JB) (GM) (O Globo).