O fim da reposição integral da inflação nos salários tem determinado um número crescente de greves nos últimos meses. Os números mais recentes do Departamento de Estudos Sócio-Econômicos e Políticos (DESEP) da Central Única dos Trabalhadores (CUT) mostram que elas são mais longas e mais pulverizadas do que no ano passado. No primeiro semestre deste ano, o DESEP registrou um total de 1.312 greves (15,9% a mais que no primeiro semestre de 1989), que mobilizaram 4,9 milhões de trabalhadores (40% menos) durante 104.785 horas (30,5% mais). Assim como no primeiro semestre do ano passado, a razão principal dessas greves é a ausência de uma política de indexação dos salários pela inflação passada. De acordo com o DESEP, em junho passado, 59,4% dos grevistas estavam no setor privado (29,2% no mês anterior) e 40,6% no setor público (70,8% um mês antes). Foram realizadas 518 greves envolvendo 2,1 milhões de trabalhadores durante 45.680 horas (GM).