A ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, anunciou ontem, em Brasília, que chega em dezembro ou janeiro de 1991 a primeira parcela dos US$2 bilhões que o FMI (Fundo Monetário Internacional) vai emprestar ao Brasil. Para a ministra, o dinheiro do FMI, "que será aplicado nas reservas cambiais" (hoje em US$8,1 bilhões), não é o ponto mais importante deste acordo, mas sim o próprio entendimento com o Fundo, "que é o primeiro degrau da escada que inclui ainda as negociações com o Clube de Paris e com os credores privados". O empréstimo "stand by" do FMI será liberado em seis parcelas, até fevereiro de 1992. O acordo acertado com o Fundo não prevê um cronograma para as liberações nem o valor das parcelas. A negociação com os bancos privados, a quem o país deve cerca de US$80 bilhões, será retomada em outubro e passará pelo Comitê Assessor. O pagamento dos juros atrasados, que ultrapassam US$7 bilhões e têm mais uma parcela em torno de US$3 bilhões vencendo em setembro, só será reiniciado depois de fechada a negociação. Antes de começar o entendimento, no entanto, o Brasil vai propor uma alteração do Comitê, que hoje é composto por 14 bancos representantes dos maiores credores brasileiros. O Brasil quer incluir no Comitê representantes dos pequenos e médios bancos (JB) (FSP).