Com a descoberta de ossadas que podem ser de vítimas de tortura, o cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, divulgou ontem nota em que afirma não terem sido nem "vazias nem falsas" as denúncias da Arquidiocese e de outros organismos nacionais e internacionais feitas no regime militar. O texto diz que o governo negava "sistematicamente que houvesse tortura nos quartéis e departamentos policiais", enquanto "a Igreja sempre insistiu que presos políticos, além de torturados, eram assassinados pelo fato de discordarem do regime militar". A nota menciona, ao mesmo tempo, a possibilidade de as ossadas pertencerem "a pessoas carentes, pobres, que morrem nas ruas por causa do frio e pela fome" (FSP).