ANISTIA DENUNCIA EXTERMÍNIO DE MENINOS DE RUA

A Anistia Internacional denunciou que no Brasil os jovens carentes são as maiores vítimas dos grupos de extermínio. Segundo relatório divulgado ontem em Londres (Inglaterra), 457 meninos de rua foram mortos no Rio de Janeiro, em São Paulo e Recife (PE) no ano passado. A maioria desses meninos, diz o documento, sequer tinha antecedentes penais. A Anistia diz ter informações de que as execuções são comandadas por policiais, que tratam de limpar as ruas dos meninos abandonados. O relatório acusa as autoridades brasileiras de tratarem com "desprezo" os menores carentes e cobra do governo ação imediata "na proteção dessas pequenas vítimas". A Anistia diz ainda que as vítimas são crianças ou adolescentes que se vêem forçados a viver nas ruas para ajudarem suas famílias ou a ganhar dinheiro para se sustentarem, muitos dos quais recorrem ao crime para sobreviver. Este é o segundo documento que a Anistia publica em três meses sobre a violência no Brasil. Em junho, foram denunciadas torturas contra presos nas delegacias policiais. O IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) deu grande contribuição para o relatório sobre tortura e assassinatos de menores no Brasil. A partir de pesquisa do IBASE que a Anistia chegou à mais contudente denúncia de seu estudo-- a de que, no Brasil, pelo menos uma criança é morta por dia. O levantamento completo do IBASE deve ser divulgado até o final do mês. O secretário-executivo do IBASE, Herbert de Souza, disse que o relatório da Anistia revela um Indicador trágico da maneira como a sociedade brasileira trata os seus iguais". Segundo ele, crimes como esses deveriam ser julgados por um tribunal internacional (JB) (O Globo) (O ESP).