Uma tumba que continha cerca de 1,5 mil ossadas foi aberta ontem no cemitério Dom Bosco, em Perus, zona oeste de São Paulo (capital). A prefeitura e a Comissão de Direitos Humanos da Arquidiocese da capital acreditam que a vala serviu de abrigo para ossadas que seriam de presos políticos desaparecidos no Brasil, na década de 70. "Precisamos esclarecer isso para as famílias dos desaparecidos", disse a prefeita Luiza Erundina (PT). "Pelo menos 50 desses mortos podem ser ex-prisioneiros políticos". "Alguns podem ter sido mortos pelo Esquadrão da Morte", afirmou o vice-prefeito, Luiz Greenhalgh, referindo-se ao grupo paramilitar que, sob amparo policial, executava pessoas nos anos 60 e 70. Duas ossadas foram identificadas como sendo dos presos políticos Frederico Eduardo Mayr e Flávio Carvalho Molina, integrantes do Movimento de Libertação Popular (Molipo), que pregava a luta armada contra a ditadura militar. Neste cemitério já tinham sido encontrados, na década de 80, corpos de outros presos políticos, entre eles o de Sônia Maria Lopes de Moraes Angel. O Brasil tem 138 desaparecidos políticos. A maioria dos desaparecimentos ocorreu entre 1969 e 1974, durante o governo do general Emílio Garrastazu Médici (FSP) (O Globo) (O ESP).