O pacto social que o governo pretende reeditar para conter a alta da inflação, a partir do próximo dia cinco, deverá incluir, como um dos principais tópicos de acerto, o congelamento temporário dos preços. Apesar de negada oficialmente, a aplicação de uma medida tipicamente heterodoxa-- o congelamento-- poderá se tornar viável. O Ministério da Economia concluiu que há hoje, entre os agentes econômicos, uma tendência à indexação informal que poderá perpetuar a alta dos preços em torno dos 10%. Esse índice é considerado inaceitável pela equipe econômica para levar adiante o plano de estabilização. A meta inicial era manter a inflação em taxas abaixo de 5%. O presidente Fernando Collor disse a assessores que, sem um entendimento nacional, o país corre o perigo de sofrer uma "quebradeira" de empresas, já que não estaria disposto em "hipótese alguma" a afrouxar o aperto sobre a quantidade de dinheiro na economia e sobre a redução dos gastos públicos. Ele imagina que, se abrandasse os controles, a inflação voltaria em escala acelerada, comprometendo seu plano de crescimento econômico no próximo ano e afetando sua sustentação política (FSP).