MISSÃO DO FMI DEIXA O PAÍS SEM CARTA DE INTENÇÕES

A missão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) deixa hoje o Brasil sem ter chegado a um acordo com o governo sobre o texto da minuta da carta de intenções que será submetida à diretoria da instituição. A metodologia usada para calcular o déficit público, a questão da remessa dos juros externos para os bancos privados e demais credores internacionais e as metas de inflação são os principais assuntos ainda pendentes. Conforme o assessor do Ministério da Economia, Marcos Caramuru, os contatos entre o FMI e o governo continuarão sendo feitos via telefone, fax e telex. Segundo ele, "as dificuldades são naturais porque, ao contrário de negociações anteriores com o Fundo, o governo quer fechar, desta vez, um acordo que possa realmente ser cumprido". O maior obstáculo a um acordo é a questão do déficit público. O Fundo quer estabelecer uma meta com base no chamado conceito nominal, em que não são descontados os efeitos da inflação sobre as contas públicas. O governo defende o conceito operacional. Segundo as informações, em viagem sigilosa a São Paulo e ao Rio de Janeiro realizada no final de maio e início de junho passado, o diretor do CITIBANK e presidente do comitê assessor dos bancos credores do Brasil, Robert McCormak, recorreu a interlocutores brasileiros do setor privado para fazer chegar ao presidente do Banco Central, Ibrahim Eris, uma proposta de pagamento parcial de juros da dívida brasileira. A proposta consistia no pagamento em setembro aos bancos privados de juros no valor de US$1,2 bilhão a US$1,3 bilhão sobre a dívida de médio e longo prazo. Em contrapartida, o comitê assessor realizaria gestões junto aos bancos credores para averiguar a possibilidade do desembolso ao Brasil de US$600 milhões, que estava previsto no acordo da dívida de 1988 mas que não foi realizado por falta de cumprimento pelo país de outras condições (FSP).