COLLOR ENTRA NA CAMPANHA ELEITORAL

Na quarta visita a Alagoas desde sua posse e a quatro semanas das eleições estaduais, o presidente Fernando Collor quebrou a promessa de não se envolver na campanha eleitoral e fez um apelo à população. "Na hora em que forem depositar o voto na urna, pensem se aquele deputado e aquele senador não vai hostilizar o presidente da República a ponto de prejudicar, lá em Brasília, o serviço que ele está fazendo em favor dos mais necessitados", disse Collor, num discurso de improviso no Palácio dos Marítimos, sede do governo do estado, em Maceió. A escolha dos nove deputados federais e dois senadores de Alagoas, segundo Collor, deve ser "um exemplo para o resto do país". O presidente pediu aos eleitores que ignorem, também, os adversários que têm fora das áreas das esquerdas, os mais ferrenhos críticos do governo federal na propaganda gratuita no rádio e televisão. O presidente anunciou um programa de apoio ao desenvolvimento do nordeste, que envolverá recursos, neste ano, da ordem de Cr$1,052 trilhão. O programa, segundo ele, será detalhado amanhã na reunião da SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste). Do total, Cr$489 bilhões são transferências asseguradas pela Constituição a estados e municípios, Cr$172 bilhões do Tesouro Nacional, Cr$148 bilhões de estatais e Cr$243 bilhões de bancos oficiais. Collor disse também que as obras da hidrelétrica do Xingó não serão interrompidas. A partir do lago que se formará, o governo quer desenvolver um projeto de irrigação de 20 mil hectares de terras nos Estados de Alagoas e Sergipe. O governo liberou US$2,5 bilhões para o término da primeira etapa da hidrelétrica. O ministro da Saúde, Alceni Guerra, anunciou que o governo investirá, em cinco anos, Cr$1,371 trilhão na área de saúde no nordeste. Do montante, Cr$30,1 bilhões serão recursos do BIRD (Banco Mundial) e o restante do governo federal (JB) (FSP) (GM).