A PETROBRÁS conseguiu comprar ontem petróleo no mercado "spot" (fora de contrato) junto a países africanos, com preço futuro, ou seja, a ser fixado na data de embarque. O óleo chegará ao Brasil no final de setembro ou início de outubro, informou o diretor comercial da estatal, Breno Cauduro, sem revelar o preço nem o volume importado. A empresa reduziu as exportações de derivados de petróleo, que antes da crise no Oriente Médio (invasão do Kwait pelo Iraque) estavam em 40 mil barris diários, basicamente para os EUA. E também suspendeu o pagamento ao Iraque pelo petróleo que ainda está a caminho e dos carregamentos que chegaram no início do mês. A ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, negou que o governo esteja estudando reajustes nos preços dos derivados de petróleo ou que pretenda fazer qualquer tipo de racionamento no consumo de combustíveis. Segundo ela, os eventuais reflexos da crise no Golfo Pérsico sobre a cotação do petróleo não serão sentidos pelo país a curto prazo. Também ontem, o Banco Central bloqueou todos os contratos de câmbio a serem fechados com o Iraque e com o Kwait. Isso significa que nenhuma remessa de dinheiro poderá ser feita por pessoas físicas ou jurídicas para qualquer dos dois países. Uma exceção é aberta para os casos de transferências com finalidades médicas ou humanitárias. Caso a empreiteira Mendes Júnior queira continuar seus negócios no Iraque-- ela realiza algumas obras no setor da construção civil--, terá que operar com recursos locais, pois a resolução da ONU (Organização das Nações Unidas), embora não inclua no boicote econômico o ramo de serviços, impede a transferência de fundos para aquele país. Esse é o entendimento que o Itamaraty faz da decisão do Conselho de Segurança da ONU, motivada pela invasão do Kwait pelo Iraque (JB).