TST JULGA DISSÍDIO DOS METALÚRGICOS DA CSN

Começa hoje no TST (Tribunal Superior do Trabalho), em Brasília, o julgamento do dissídio coletivo dos 23 mil metalúrgicos da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), que hoje completam 28 dias de greve. Houve várias tentativas de acordo entre a direção da CSN e o Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda (RJ), com a intermediação do ministro do TST, relator do processo de dissídio, Marcelo Pimentel, mas as partes não conseguiram negociar os principais tópicos de reivindicação da categoria: a reposição de perdas salariais pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) acumulado de março e abril, de 166,89%, e o pagamento de dívidas trabalhistas de US$130 milhões, relativas ao não pagamento de índices dos planos Bresser e Verão. Ontem, o Sindicato dos Metalúrgicos apresentou à Comissão Econômica do Congresso Nacional e ao TST o plano de saneamento financeiro da CSN. O projeto foi elaborado pelo deputado federal César Maia (PDT/RJ) e auxiliado pelo economista Aluízio Mercadante, do PT. O projeto para o pagamento da dívida da CSN, calculada em US$2,6 bilhões, é apresentado em três pontos: o primeiro é o pagamento da dívida com os impostos estaduais e as estatais; o segundo, renegociação dos empréstimos de longo prazo; e o terceiro, o lançamento no mercado de debêntures. Os impostos e as dívidas com as estatais, aproximadamente US$1 milhão, seriam transformados em um bilhão de ações. Esses papéis seriam comprados pelo próprio governo estadual e federal. Com relação aos empréstimos de longo prazo, total de US$1 bilhão, o projeto sugere que eles sejam renegociados com os credores para pagamento em 15 anos. O terceiro ponto se refere ao setor privado e aos salários atrasados dos metalúrgicos. Seriam lançados no mercado debêntures-- na quantia de US$600 milhões-- para serem resgatadas em cinco anos (JB).