Reunido para apreciar a crise surgida com a invasão do Kwait pelo Iraque, o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou ontem, por 13 votos a favor, nenhum contra e duas abstenções, um dos mais completos bloqueios econômicos da história da organização. Os países- membros ficam proibidos de realizar qualquer operação de importação ou exportação com o Iraque ou o Kwait ocupado. Também não podem transportar qualquer produto desses países e devem congelar seus bens. O Brasil acatará a resolução da ONU. "O Brasil dará pleno, fiel e imediato cumprimento à resolução", garantiu o porta-voz do Itamaraty, José Vicente Pimenta. Representantes dos Ministérios da Economia, Infra- estrutura e Relações Exteriores e da Presidência da República reuniram- se no Itamaraty para avaliar as repercussões e redigir decreto proibindo a emissão de guias de exportação para os iraquianos. Outra decisão é a de publicar a resolução da ONU no "Diário Oficial" da União, como ocorre no caso das leis internas, para que também formalmente ela se apresente como a liturgia de uma lei. O ministro Francisco Rezek (Relações Exteriores) disse que o Brasil reverá os contratos de armas para o Iraque. Ele lembrou que o envio de armamento brasileiro ao Iraque já estava suspenso desde o final de 1989 por questões comerciais, às quais se somarão agora as políticas. O Brasil está tendo um prejuízo de US$3 milhões diários por causa do aumento do preço do petróleo. Desde o início do conflito, o barril de petróleo passou de US$21 para US$27, segundo informou o ministro da Infra- estrutura, Ozires Silva. Como o Brasil importa cerca de 500 mil barris diários, o prejuízo diário a partir de ontem está sendo de US$3 milhões (Cr$213,4 milhões pelo câmbio comercial). O ministro admitiu também que o aumento nos preços do petróleo poderão ser repassados ao consumidor, através do reajuste dos derivados (JB) (FSP) (O Globo) (JC).