LIBERAÇÃO DE REMÉDIOS PREOCUPA O SETOR

A partir de hoje, os laboratórios farmacêuticos e indústrias de alimentos, cosméticos e saneantes poderão renovar o requerimento de registro de 5.418 produtos junto à Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde. O governo promete que em 60 dias eles serão liberados através de "processos automáticos" e "processos sumaríssimos". A medida, recebida com temor pelo presidente do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo, Osvaldo Cirilo da Silva, e pela Comissão de Saúde da Secretaria Estadual de Defesa do Consumidor de São Paulo, está prevista no "Projeto Inovar", concebido para vencer, em dois anos, uma pilha de presumíveis 19.430 processos com 22.850 petições de registro de produtos, encalhadas em extintas divisões do Ministério da Saúde, como a Divisão de Medicamentos (DIMED). "A mudança na fórmula de um remédio pode ter reflexos na sua atividade, ou eficácia", critica Silva, referindo-se a uma das situações previstas no subprojeto "Zerar"-- primeira fase do "Projeto Inovar"--, que vai permitir a resolução de 3.560 petições de registro de medicamento, no prazo de dois meses. "Além disso, com a mudança, há o risco de o medicamento ser afetado na sua farmacocinética", continua Silva. Isto é, de ser alterada a curva de ação do remédio, diferente nos de rápida ação, como analgésicos, e de ação prolongada, como ocorre em antibióticos" (JB).