SINDICALISTAS FALAM SOBRE O ABONO

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco (SP), Cláudio Camargo, considerou o abono salarial de Cr$3 mil "mais uma piada do governo". "Há perdas grandes nos salários e elas precisam ser repostas". Não adianta tampar o sol com a peneira, disse. O presidente da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores), Francisco Canindé Pegado, disse que o abono "não significa nada": "O fato de o trabalhador recebê-lo não pode significar a renúncia à luta por uma política salarial efetiva". A CUT (Central Única dos Trabalhadores) ainda não avaliou o abono. "Para quem tem 220% de defasagem salarial em razão do Plano Collor, Cr$3 mil não é nada", disse o presidente do Sindicato dos Gráficos de São Paulo, Jayme de Souza. De acordo com o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos), o abono não vai atender a necessidade da classe trabalhadora que demanda reajuste de 256% sobre seus salários para recompor o poder de compra. Segundo a entidade, com o abono, os trabalhadores que ganham um salário-mínimo poderão comprar apenas 58% dos produtos da cesta básica. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), Vicente Paulo da Silva, considera o abono uma esmola. "Acho que os brasileiros não precisam de esmolas, mas de um mecanismo salarial que proteja seu poder aquisitivo", disse. O presidente da FECESP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), Abram Szajman, não aprovou a concessão do abono salarial em agosto. Para ele a medida cria expectativa falsa, porque é transitória. Szajman acha que o empresariado precisa entender a necessidade de recompor os salários defasados desde abril e considera que isso vem ocorrendo na maioria das empresas, que têm concedido aumentos ou antecipações (GM) (JC) (FSP).