TRABALHADORES ATEAM FOGO EM PRÉDIO DA FORD

Trabalhadores que não estavam em greve, mas que tiveram seus salários suspensos por causa da paralisação dos companheiros, atearam fogo em diversos setores da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo (SP). Foi o terceiro "quebra-quebra" ao longo de 46 dias da atual greve. Quando a Polícia Militar entrou na fábrica, o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Jair Meneghelli, foi agredido com cassetete e os trabalhadores responderam com pedradas e barras de ferro. A`s 17 horas a polícia assumiu o controle da fábrica. A greve dos 900 trabalhadores da ferramentaria da empresa-- setor sem o qual os demais, com 5,6 mil operários, não funciona-- provocou perda de receita de US$300 milhões. Deixaram de ser produzidos 24.886 carros. A Autolatina ("holding" da Ford e Volkswagen) declarou interrompidas as negociações com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. O Sindicato diz que não perdeu o controle da situação na Ford. "Se não tivéssemos controle, teria acontecido um banho de sangue", diz o vice- presidente da entidade, Heiguiberto Della Bella Navarro. Um ferramenteiro em greve, que se identificou apenas como "Zé" e que está há sete anos na Ford, informou que recebe Cr$151,00 por hora. "Um ajudante geral, que não éum profissional, está recebendo Cr$320,00 na Termomecânica", disse. "É por isso que o pessoal está tão revoltado". "E os outros, que não estão em greve, só querem o seu salário". Ele não considera que o Sindicato perdeu o controle. "O pessoal está bravo, mas a confiança no Sindicato continua" (JB) (FSP).