RIO SE PREPARA PARA A CONFERÊNCIA SOBRE O MEIO AMBIENTE

O Rio de Janeiro começa a se preparar para sediar a 2a. Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que deve trazer à cidade, em junho de 1992, cerca de 20 mil pessoas de todo o mundo, incluindo 120 chefes de estado e três mil jornalistas. Para receber os visitantes, que segundo cálculos da RIOTUR devem gastar na cidade US$30 milhões, haverá esquemas especiais de trânsito e segurança montado pela prefeitura, obras de ampliação do RIOCENTRO, montagem de salas e auditórios modulados no Autódromo de Jacarepaguá e o trabalho coordenado dos setores de hotelaria, turismo, lazer e cultura. O encontro, organizado pela ONU (Organização das Nações Unidas), promete ser um dos mais importantes eventos ecológicos dos últimos 20 anos-- a primeira conferência se realizou em 1972, em Estocolmo (Suécia), com cerca de 10 mil participantes. Pelo tamanho do evento, que durante duas semanas vai transformar o Brasil em centro das atenções do mundo, parte da programação deve ser distribuída por São Paulo (SP), Brasília (DF), Manaus (AM) e Curitiba (PR), mas os principais debates serão no Rio. Uma das principais forças propulsoras da 2a. Conferência são as ONGs (Organizações Não-Governamentais). As ONGs preconizam o desenvolvimento sustentado, o progresso em harmonia com a preservação do ambiente. Entidades ambientalistas como o "Green Peace" formaram redes como o "Center for Common Future", sediado em Genebra (Suíça), e aos poucos foram se unindo a grupos científicos, comunitários e empresariais, com o objetivo de lutar por um futuro melhor. O movimento se espalhou pelo mundo e participa diretamente da organização da 2a. Conferência, mas preservando suas diferenças com os setores governamentais, que consideram muito formais. A filosofia do desenvolvimento sustentado atraiu diferentes setores no Rio, que formalizaram em junho o Pró-Rio 92, com a participação de 95 entidades, entre elas a FAMERJ (Federação das Associações de Moradores do Estado do Rio de Janeiro), a COPPE (Coordenação de Pós-graduação e Pesquisas da UFRJ), o Movimento Pró-Floresta e ainda empresários como João Augusto Fortes, diretor da João Fortes Engenharia, e ambientalistas como Fernando Gabeira. Entre as atividades previstas para a conferência alternativa, estão uma feira de produtos alternativos no Autódromo de Jacarepaguá e a realização de uma grande cerimônia indígena no RIOCENTRO (JB).