Dos 4,7 milhões de hectares desapropriados pelo ex-presidente José Sarney, o governo Collor ainda não sabe quanto poderá ser utilizado em seu plano de reforma agrária. O levantamento das condições dessas terras, prometidas pelo ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, até agora rendeu quatro denúncias à Polícia Federal e farta munição para a campanha do senador João Castelo (PRN), o aliado com o qual o presidente Fernando Collor conta para vencer no Maranhão. Segundo Cabrera, parte da área desapropriada era imprópria para a reforma agrária. Técnicos do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) investigam os 800 processos de desapropriação do período Sarney a fim de identificar terras impróprias, pagamentos exagerados e aquisição de imóveis de propriedade duvidosa. Dos quatro casos apontados como irregulares, três são do Maranhão. O Ministério da Agricultura está pleiteando verba suplementar de Cr$16,5 bilhões para assentar 50 mil famílias, meta fixada para a reforma agrária este ano. O INCRA preparou um programa de emergência para este segundo semestre, visando atingir a meta. A liberação do dinheiro depende de autorização do Congresso Nacional. O programa só prevê o que pode ser feito sem a verba suplementar. Se ela sair, o órgão pretende adquirir 1,5 milhão de hectares para assentamentos futuros (FSP).