MIRAD DIVULGA NÚMEROS SOBRE MORTES NO CAMPO

Segundo levantamento feito pela Coordenadoria de Conflitos Agrários do Ministério da Refoma e Desenvolvimento Agrário (MIRAD), entre os dias 1o. de janeiro e 22 de maio deste ano ocorreram 100 homicídios "dolosos", 7 desaparecimentos de trabalhadores rurais "em zonas críticas de tensão social e conflitos" e mais 30 ameaças de morte "dirigidas por latifundiários contra dirigentes sindicais, clérigos, trabalhadores rurais e funcionários do MIRAD e do INCRA, empenhados na execução das medidas previstas no decreto-lei 91766, de 10 de outubro de 1985, que instituiu o Plano Nacional de Reforma Agrária PNRA)". Essas estatísticas somam-se, portanto, aos 1106 mortos por conflitos de terra, de 1964 a 1985, conforme os dados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MASTES). Os homicídios ocorridos neste ano, até o dia 22 último, representam um crescimento de 53,8% sobre o número de mortos no mesmo período do ano passado (que inclui, porém, todo o mês de maio) e foram registrados em 14 unidades federativas, envolvendo 46 municípios. Das 100 mortes no relatório do MIRAD, até o último dia 22, 98 foram assassinados, sendo 78 ocorridos em torno de terras públicas e privadas e 20 envolvendo terras indígenas. Os outros dois óbitos são mencionados como suicídios. Cinquenta e um dos 100 mortos eram trabalhadores rurais, sete eram grileiros, quatro de capatazes ou empregados que prestam serviços aos fazendeiros e outros 13 mortos foram classificados como pistoleiros (GM).