POBREZA ATINGE 1,1 BILHÃO DE PESSOAS NO MUNDO

A pobreza continua a ser o problema mais grave do mundo, denunciou o BIRD (Banco Mundial), ao informar que 1,1 bilhão de pessoas, 25% da população mundial, vivem na miséria, metade delas na Ásia e na África. O Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial explica que o BIRD considera pobres os que ganham menos de US$370 anuais (Cr$32.190,00 ou Cr$2.682,00 por mês). O documento recomenda que os países proporcionem mais empregos aos seus habitantes pobres, melhorem os serviços de saúde e ampliem as oportunidades de educação. O BIRD pede que a ajuda externa seja canalizada prioritariamente para os países comprometidos em combater a pobreza. De acordo com o relatório do BIRD, a América Latina gastou US$173 bilhões em armas, quase dobrou sua população e aumentou em nove vezes o PIB (Produto Interno Bruto) nos anos 80. Apesar do pulo de 239 milhões de habitantes em 1965 para 422 milhões em 1989, a taxa de crescimento caiu na última década para 2,1%, contra 2,4% no decênio anterior. Os gastos militares também estão em baixa. Representavam 6,7% do orçamento federal dos países da região em 1972 e caíram para 5,8% em 1988. A América Latina, segundo o documento, registrou um fenômeno de êxodo rural, que concentrou 71% da população nas cidades contra 53% em 1965. O número de cidades com mais de 500 mil habitantes passou de 20 em 1960 para 49 em 1980 (o Banco não dá números mais atuais). Ainda de acordo com o relatório, a situação da mulher latino-americana melhorou nos anos 80. A expectativa de vida passou de 60 para 70 anos entre 1965 e 1980, enquanto a dos homens subia de 56 para 64 anos no mesmo período. A presença de mulheres na escola subiu de 64% para 75% nos últimos 19 anos, assumindo a paridade com os homens no ensino primário e ultrapassando em 10% a presença de homens no secundário. As referências ao Brasil são quase sempre negativas. O ponto principal contra o país e o da distribuição desigual da riqueza produzida. O relatório afirma que, se entre 1960 e 1980 os níves de desigualdade tivessem caído no Brasil na mesma proporção que na Malásia, a pobreza brasileira teria se reduzido em 43% em vez dos 29% que de fato se registraram. O Brasil é colocado ao lado do Paquistão e da Venezuela como países em que houve extraordinário crescimento econômico ao longo dos últimos 30 anos sem que esse progresso revertesse em favor dos pobres. O relatório afirma ainda que o "Brasil promoveu a agricultura e obteve rápido crescimento no setor. Mas seu desempenho quanto à pobreza é desalentador. Uma razão é a tendência, no setor agrícola, de se favorecer os grandes produtores, em especial com créditos subsidiados e políticas fiscais, em prejuízo do trabalhador. Essa tendência se completa com uma muito desigual distribuição da propriedade agrícola" (JB) (FSP).