Empresas madeireiras de Rondônia invadiram a Reserva Biológica do Guaporé, no oeste do estado, e encurralaram três grupos de índios nunca contactados, no último trecho de floresta onde ainda se encontra mogno e cerejeira. Os índios arredios da reserva de Guaporé são indivíduos altos e fortes, de cerca de 1m80 de altura, cabelos longos, e que usam o maior arco encontrado, até hoje, em populações indígenas brasileiras: três metros. Supõem-se que sejam nômades do subgrupo siriono, do tronco tupiguarani, que a literatura antropológica registra na Bolívia. Já foram localizados 20 acampamentos. As incursões dos madeireiros obrigam os índios a abandoná-los com menos de 30 dias de ocupação. Eles fogem de qualquer contato. A reserva é um dos maiores bancos genéticos do mundo, apresentando diversas formações de floresta e savana. Seus 600 mil quilômetros quadrados vêm sendo invadidas por madeireiros desde 1986. Há sete serrarias nos seus limites. O Instituto Estadual de Florestas de Rondônia confessa-se sem meios de impedir invasões. "Já chamamos a Polícia Federal, já bloqueamos, prendemos, multamos". "Quando a gente sai, os madeireiros voltam". "Nossos recursos são insuficientes para as necessidades", diz o presidente do órgão, Edison Mugrabe (FSP).