A fabricante argentina de fraldas descartáveis Estrella está exportando para o Brasil uma disputa de mercado iniciada em seu próprio país. Seu adversário é a multinacional Johnson & Johnson, que lidera o mercado brasileiro e que em janeiro do ano passado desistiu de fabricar fraldas na Argentina. De março para cá, a Estrella já exportou 300 milhões de fraldas para o Brasil. Sua intenção era aumentar esse número, mas uma portaria do Ministério da Saúde brasileiro, que exige novos testes de qualidade, prejudicou os planos. O problema fez com que a Estrella assumisse publicamente a disputa. Para Jorge Bitthoff, sub-gerente-geral da empresa, o preço das fraldas Estrella é o ponto central da disputa. Enquanto um pacote de 52 fraldas para recém-nascidos da Estrella custa Cr$1,3 mil, o da Johnson, com 48 fraldas, está em torno de Cr$1,6 mil. Segundo ele, a Johnson está se sentindo incomodada. "Ela prefere atuar em mercados onde é líder absoluta". Gosta de praticar preços altos e ter margens de lucro elevadas, afirma. O gerente de assuntos públicos da Johnson do Brasil, Virgilio Sampaio Martins, diz que as fraldas argentinas são mais baratas porque contam com subsídios do governo. Segundo ele, os fabricantes brasileiros não teriam como reduzir os preços para competir com os argentinos (FSP).