Líderes empresariais, acionistas majoritários de 30 dos maiores grupos privados de capital nacional, que operam, basicamente, no setor industrial, estão propondo um debate, a nível nacional, sobre a formulação de uma política industrial de longo prazo, sustentada na renovação tecnológica das empresas e na mudança da estrutura de distribuição de renda. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), criado há um ano e meio pelos empresários, em São Paulo, começa, esta semana, a distribuição de um documento que resume as propostas básicas do setor. O documento é endereçado ao governo federal, a partidos políticos, universidades e sindicatos patronais e trabalhistas. O texto tem a premissa do "esgotamento" do ciclo de desenvolvimento industrial do país aberto em meados deste século e um diagnóstico da evidência desse epílogo: a perda de competitividade no mercado mundial. Atribuem boa parte da "culpa" à expansão do Estado na economia, à degradação das relações entre os agentes econômicos e à carência de um projeto político nacional. No documento, os empresários fazem uma autocrítica: "O comportamento (da indústria) pouco ofensivo na incorporação de inovações, sua pequena contribuição para a formação de mão-de-obra criaram um obstáculo suplementar ao salto qualitativo que a realidade impunha" (GM).