Ao reajustar seus próprios vencimentos para Cr$49 mil, os 13 vereadores da cidade mineira de Itaobim, no Vale do Jequitinhonha, deram ao prefeito José Fernandes Ribeiro (PDC) o salário de Cr$480 mil. José Fernandes, rico fazendeiro e maior empregador da região, justifica o elevado rendimento: quanto mais receber, mais poderá doar à população pobre do município. "Os moradores adoraram o aumento, porque todo o dinheiro que o prefeito recebe é gasto em doações, não fica nada com ele", argumentou o secretário-geral da prefeitura, José Freire. Dono de um patrimônio que inclui um frigorífico que exporta carne de cavalo para o Japão, postos de gasolina, empresas de transporte e revendedoras de automóveis, José Fernandes elegeu-se com a maioria absoluta dos 11 mil votos de Itaobim (o município tem cerca de 46 mil habitantes) em 1988. Nos primeiros meses de mandato renegociou a dívida municipal, demitiu 190 funcionários ociosos e passou a gastar seus vencimentos na compra de dentaduras, cestas básicas e cadernetas de poupança para alunos pobres (JB).