AS CIDADES QUE MAIS CRESCERAM NOS ANOS 80

Pesquisa recentemente tabulada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) coloca nomes inesperados na lista de cidades que mais cresceram nos anos 80. A` maior explosão-- a de Marabá (PA), de 17,5% na década-- seguiram-se as de 14% do Embu (SP) e de 13,5% de Ariquemes (RO). Seguem-se outras três cidades paulistas (Sumaré com 13,2%, Praia Grande com 10,7% e Carapicuiba com 9,2%) e outra amazônica (a capital de Rondônia, Porto Velho, com 8,5%). Ariquemes e Marabá desandaram a crescer nos anos 70, quando foram alcançadas pelas BR-364, Transamazônica e BR- 150-- estradas que trouxeram os expulsos de outras terras. Já as cidades do sudeste cresceram com os excedentes de São Paulo-- que chegará ao fim do milênio com 24 milhões de habitantes-- e do Rio de Janeiro, que terá cerca de 13,3 milhões de pessoas no ano 2000. O IBAM (Instituto Brasileiro de Administração Municipal) realizou uma pesquisa junto aos prefeitos dos 1.285 municípios mais despovoados durante os anos 80 para saber os motivos que levam essas cidades a cederem gente para as outras crescerem. O resultado foi o seguinte: desses prefeitos, 27% atribuíram a fuga à inexistência de empregos por perto; 11,4% ao "rigor da legislação trabalhista" que impossibilita o produtor rural de empregar alguém; e 26,8% à falta de serviços públicos como escolas, postos de saúde, estradas, bancos e luz. Os problemas fundiários são citados por 26,5% dos prefeitos. A "falta de incentivo ao homem do campo" é citada por 14,1% dos prefeitos, 6,2% responsabilizam as inundações dos lagos das hidrelétricas ou dos projetos de irrigação e 3,4% falam daquilo que o IBAM chamou de "condicionantes físicos": principalmente seca e geada, que atingem os mais pobres, desprovidos de técnicas para defender a lavoura e a safra. Apenas 6,5% se referem à "vida mais fácil na cidade", o que levou o IBAM a concluir que as causas do êxodo rural estão no interior, e não nas metrópoles (JB).