Pobre, analfabeto, negro, jovem, migrante do interior. Esse é o perfil da população carcerária de Pernambuco, problema social que a criação do Fundo Penitenciário (1,8% do FINSOCIAL e 4% da arrecadação das loterias federais), através de projeto de lei do Ministério da Justiça, não será capaz de resolver. O levantamento, feito pela Secretaria de Justiça pernambucana, mostra que 83% dos presos tinham renda no máximo de um salário-mínimo; mais de 85% são analfabetos ou não concluíram o 1o. grau; 84% são pretos ou pardos; 65% têm de 18 a 40 anos e mais de 65% saíram do interior. O lado da pesquisa que examina a condição criminal do preso mostra que quase 70% dos 2,3 mil detentos de Pernambuco são primários, o que, para o secretário de Justiça, Silvio Pessoa, significa que "há um contingente cada vez maior de gente se iniciando no crime". O Presídio Aníbal Bruno-- o maior para presos provisórios no Grande Recife, com 734 detentos-- reforça a tese do secretário: mais de 40% de sua população foram presos por pequenos furtos ou roubos, alguns com mortes. "As desigualdades sócio-econômicas por muito tempo vão continuar estimulando a marginalidade e, em consequência, aumentando a população carcerária", conclui Silvio Pessoa (JB).