A lei salarial que o governo adotou, no último dia 26, através da medida
31038 provisória no. 193 já nasceu morta. A opinião foi dada ontem, em São Paulo, pelo ex-ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser Pereira, para quem uma regra de reajustes semestrais pelos próximos 12 meses é incompatível com o momento de inflação em alta, próxima aos 10%, quadro que exigirá um período menor para os reajustes. Bresser acha que os sindicatos não aceitarão a proposta, que acabará não vigorando na prática. No Rio de Janeiro, o também ex-ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen, disse que proibir que as empresas concedam aumentos espontâneos aos seus empregados "se não é inconstitucional, é, no mínimo, estranho". Ele também criticou o prazo mínimo de seis meses entre um reajuste e outro, dado que considerou contraditório com o objetivo da livre negociação (FSP).