Sindicalistas acreditam que a medida provisória no. 193 que regula a reposição das perdas salariais trará um dos maiores arrochos salariais dos últimos anos. Também acusam o governo de impedir a realização da livre negociação, como ele próprio vem defendendo. A MP 193 deve insuflar mais greves em todo o país, disseram os sindicalistas. Ao implantar esta MP o governo passa a tutelar a livre negociação, afirmou José Firmo, vice-presidente da Federação dos Metalúrgicos de São Paulo. Segundo ele, a equipe econômica do governo tenta ignorar as perdas ocorridas antes da publicação da MP. Para Francisco Canindé Pegado do Nascimento, presidente da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores), "o impacto desta MP para o trabalhador é o mais negativo possível". Isso não é política salarial". "É imposição salarial", afirmou. O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Jair Meneghelli, afirmou que a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, não sabe do que está falando quando propõe a livre negociação salarial. "O governo está brincando de livre negociação". Ele defendeu reposição automática das perdas e afirmou que não aceita discutir outro índice para a reposição que não seja os 188% calculados pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos). Para o coordenador de produção técnica do DIEESE, Antônio José Correa do Prado, a MP 193 poderá provocar uma queda ainda maior no salário real. Ele disse que a MP vai criar uma série diversificada de recomposição salarial. Elas irão variar de empresa para empresa. As diferenças vão depender da frequência com que é feito o pagamento, do número de funcionários horistas e mensalistas de cada empresa e também das antecipações salariais já concedidas. O DIEESE começa a calcular hoje, com base nas instruções da MP 193, as reposições referentes a cada mês de dissídio (FSP).