VATICANO FAZ ADVERTÊNCIA AOS TEÓLOGOS

O Vaticano advertiu que os teólogos não têm o direito de divergir dos ensinamentos da Igreja Católica e devem se abster de usar os meios de comunicação para expressar seus pontos de vista. Em documento intitulado Instrução sobre a vocação eclesiástica do teólogo, aprovado pelo papa João Paulo 2o., o Vaticano afirma que um bom teólogo "sofre em silêncio e em graça". A instrução é uma resposta da Santa Sé a uma onda crescente de divergência entre teólogos, que se opõem às doutrinas da Igreja sobre vários temas, em especial sobre a proibição a métodos artificiais de controle da natalidade. No ano passado, 163 teólogos da Europa assinaram o Tratado de Colônia, protestando contra o que consideram perseguição da Igreja aos dissidentes através de "métodos fascistas". O manual adverte que padrões de conduta apropriados à sociedade civil ou ao exercício da democracia não podem, pura e simplesmente, ser aplicados à Igreja. Segundo o Vaticano, a dissidência é um fenômeno que dá espaço ao surgimento de um "magistério paralelo" entre os teólogos. O arcebispo de Salvador (BA) e primaz do Brasil, dom Lucas Moreira Neves, não quis comentar o documento do Vaticano, assim como o arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns. O arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eugênio Salles classificou como positivo o documento. Segundo ele, os bispos devem permanecer vigilantes para que a doutrina cristã não seja alterada ou adaptada (JB) (O Globo).